Papa: hoje Jesus desce ao inferno das guerras e da dor dos inocentes

  • 02/04/2025

Na terceira catequese sobre “A Vida de Jesus. Os Encontros”, Francisco reflete sobre Zaqueu e a busca de Jesus por aqueles que se sentem perdidos

Da redação, com Vatican News

Cruz da Paz feita de 20 mil pequenos fragmentos de projéteis de artilharia e minas coletados de campos ucranianos e banhada em ouro /Foto: Ukrinform via Sipa USA

O Papa Francisco dedicou sua reflexão, nesta quarta-feira, 2, a Zaqueu dentro da sequência “A vida de Jesus. Os Encontros”, no âmbito do Ciclo de Catequeses para este Jubileu 2025 sobre o tema “Jesus Cristo nossa Esperança”.

Nos encontros de Jesus com alguns personagens do Evangelho, Zaqueu ocupa um lugar especial na viagem espiritual do Pontífice. “O Evangelho de Lucas apresenta Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez, por vezes, também nos sintamos assim: sem esperança. Zaqueu, em vez disso, descobrirá que o Senhor já o procurava”, escreve.

De acordo com o Santo Padre, Jesus desceu até Jericó, uma cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do inferno, onde Jesus quer ir em busca daqueles que se sentem perdidos. “Na realidade, o Senhor Ressuscitado continua descendo ao inferno de hoje, aos lugares de guerra, de dor dos inocentes, nos corações das mães que veem morrer seus filhos, na fome dos pobres”.

Quem era Zaqueu?

O Pontífice observa que, de certa forma, Zaqueu estava perdido. “Talvez tenha feito algumas más escolhas ou talvez a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de escapar. Lucas insiste em descrever as características deste homem: não é apenas um publicano, isto é, alguém que cobra impostos aos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado”, frisa. O Papa comenta que Lucas acrescenta que Zaqueu é rico, insinuando que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição.

Todas as vivências do publicano têm consequências: “sente-se provavelmente excluído, desprezado por todos”, afirma Francisco. Ao ouvir que Jesus passava pela cidade, Zaqueu sentiu o desejo de vê-lo. O Pontífice sublinha que o publicano não planeja um encontro, gostaria apenas de observá-Lo de longe. “Mas os nossos desejos também encontram obstáculos e não se realizam automaticamente: Zaqueu é de baixa estatura! É a nossa realidade, temos limitações com as quais temos de lidar. Depois há os outros, que às vezes não nos ajudam: a multidão impede Zaqueu de ver Jesus. Talvez seja também um pouco de vingança”, ressalta.

Ter coragem e não vergonha

O desejo de Zaqueu de ver Jesus era tão forte, que mesmo com as adversidades, ele não desanimou, mas encontrou uma solução. “É preciso ter coragem e não ter vergonha, é preciso ter um pouco da simplicidade das crianças e não nos preocuparmos tanto com a imagem”, escreve Francisco. “Zaqueu, como uma criança, sobe numa árvore. Tinha de ser um bom ponto de observação, principalmente para observar sem ser visto, escondendo-se atrás da folhagem”, ressalta.

O Papa frisa que com o Senhor o inesperado acontece sempre: “Jesus, quando se aproxima, olha para cima. Zaqueu sente-se exposto e provavelmente espera uma repreensão pública. O povo talvez assim esperasse, mas fica desiludido: Jesus pede a Zaqueu que desça imediatamente, quase surpreendido ao vê-lo na árvore, e diz-lhe: ‘Hoje é necessário que eu fique em tua casa””, recorda. Segundo Francisco, Deus não pode passar sem procurar os perdidos.

Olhar de Jesus

O evangelista Lucas destaca a alegria do coração de Zaqueu. O Santo Padre comenta que essa é a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado. O olhar de Jesus não é de reprovação, mas de misericórdia, salienta. “É aquela misericórdia que, por vezes, temos dificuldade em aceitar, especialmente quando Deus perdoa aqueles que achamos que não a merecem. Murmuramos porque gostaríamos de colocar limites no amor de Deus”.

Depois de ouvir as palavras de perdão de Jesus, o Pontífice recorda que Zaqueu se levanta, “como se tivesse ressuscitado da sua condição de morto”. “E levanta-se para assumir um compromisso: devolver o quádruplo do que roubou. Não é um preço a pagar, porque o perdão de Deus é gratuito, mas é o desejo de imitar Aquele que o fez sentir-se amado. Zaqueu assume um compromisso que não era obrigado a assumir, mas o faz porque entende que essa é a sua forma de amar”, enfatiza. O publicano, continua o Papa, faz isso reunindo tanto a legislação romana sobre o roubo quanto a legislação rabínica sobre a penitência.

“Zaqueu não é apenas um homem de desejo, é também alguém que sabe dar passos concretos. O seu propósito não é genérico ou abstrato, mas parte da sua própria história: olhou para a sua vida e identificou o ponto por onde começar a sua mudança”, reflete Francisco.

Por fim, o Santo Padre convida os fiéis a aprenderem com Zaqueu a não perder a esperança, mesmo quando se sentirem excluídos ou incapazes de mudar. “Cultivemos o nosso desejo de ver Jesus e, sobretudo, deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus que sempre vem nos procurar, em qualquer situação em que estejamos perdidos”, conclui.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-hoje-jesus-desce-ao-inferno-das-guerras-e-da-dor-dos-inocentes/


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